Doenças Cardiovasculares

Quando comparado com o motor de uma máquina, o coração representa a força de uma bomba que envia o sangue até às células de órgãos e tecidos, recolhendo depois o dióxido de carbono.

Mas quando o batimento cardíaco se altera ou o fluxo de sangue diminui, é porque existe um problema.

Todas as doenças cardiovasculares afectam o funcionamento do coração bem como o dos vasos sanguíneos. Hipertensão arterial, doença arterial coronária ou acidente vascular cerebral, são exemplos de doenças cardiovasculares que podem surgir.

A Organização Mundial de Saúde concluiu que as doenças cardiovasculares são responsáveis por 12 milhões de mortes em países desenvolvidos, sendo a primeira causa de morte entre a população adulta. Mas existem factores que indicam a probabilidade deste tipo de doenças vir a surgir:

Para tal é preciso:

– Evitar carne gorda, enchidos, leite gordo, ovos, queijos gordos e sobremesas com gordura. Deve também evitar-se o consumo de margarinas, manteiga e banha;
– Não fumar;
– Ter uma actividade física;
– Equilibrar o peso e reduzir a pressão arterial;
– Ter uma dieta saudável rica em fruta e legumes, cereais, carne e peixe reduzindo no sal. Sem esquecer de reduzir o consumo de alimentos com gordura e colesterol.

Obesidade

Considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a epidemia do séc. XXI, a obesidade está na senda de todas as preocupações. Este é um problema de saúde que consiste na excessiva e patológica acumulação de gordura no organismo e que resulta num excesso de peso em comparação com a altura (IMC).

Para a OMS, diz-se que há excesso de peso quando o IMC é igual ou superior a 25, sendo a obesidade visível quando o IMC é igual ou superior a 30.

A obesidade é não apenas um problema estético como também psicológico sendo, inevitavelmente, um risco para a saúde. Sempre que se ingerem mais calorias do que as que se conseguem gastar, estas transformam-se em gordura.

Mas este é um facto com consequências negativas para o organismo, sendo a obesidade responsável pelo aparecimento da diabetes bem como de problemas respiratórios. Do mesmo modo, ossos e músculos são afectados pelo esforço que o excesso de peso exige, sendo que a obesidade influencia grandemente o sistema cardiovascular. O que acontece muitas vezes, é que a  gordura presente no sangue é depositada nas artérias prejudicando o sistema cardiovascular. Podem também ocorrer infecções cutâneas pela acção do suor e das dobras existentes na pele.

Nas mulheres, a obesidade pode suscitar problemas ao nível do sistema reprodutor e mesmo reduzir a expectativa de vida, para além da diabetes, doenças cardíacas, artrite e derrames cerebrais.

A obesidade surge também muitas vezes associada a situações de depressão, consequência do stress que causou transtorno nos hábitos alimentares.

Os médicos aconselham à adopção de uma dieta e exercício físico e, em situações graves, fazer uma cirurgia para reduzir a capacidade física do estômago. Deve-se também controlar a quantidade e o tipo de alimentos ingeridos reduzindo as suas doses, sendo o apoio da família igualmente importante.

Ossos e Articulações

A estrutura óssea tem um papel fundamental no que concerne à protecção dos orgãos e está presente em todos os movimentos do corpo humano, sendo o seu suporte. 

São 206 os ossos que constituem o esqueleto humano, os quais são formados por cálcio, fósforo, sódio e outros minerais, assim como proteína de colagénio.

Importa saber que a ingestão das quantidades certas de vitaminas e minerais, em especial a vitamina D, e cálcio são condição necessária para o armazenamento de cálcio nos ossos.

Existem dois tipos de materiais: osso compacto e osso esponjoso. Os tecidos vivos existentes nos ossos vão-se regenerando ao longo da vida, mas para ter ossos fortes na juventude bem como na idade adulta é preciso prevenir a perda óssea consumindo cálcio, vitamina D e fazer exercício físico.

Uma pessoa que faça regularmente exercício físico terá, necessariamente, uma maior densidade óssea. Má nutrição, factores genéticos, problemas de crescimento e de regeneração óssea explicam os problemas que surgem ao nível da estrutura óssea. 
É entre os 20 e os 30 anos que se atinge a densidade máxima dos ossos.

Ainda que se tenha uma estrutura óssea forte, os ossos podem partir-se e as articulações ser prejudicadas pela existência de outras doenças. Situações de artrite são bastante comuns, doença que consiste na inflamação da articulação.

Também a osteoporose é um problema preocupante no qual o tecido ósseo fica frágil, fino e esponjoso resultando na lesão dos ossos ou mesmo na desintegração dos ossos da coluna. Mas esta é uma doença com maior propensão para atingir pessoas mais velhas, podendo por vezes surgir em crianças e jovens com desequilíbrios alimentares.

Se tiver osteoporose, pergunte ao seu médico qual a actividade mais segura para si. Se o seu problema for uma baixa densidade óssea, proteja a sua coluna e evite movimentos de flexão ou torsão da coluna.

Os médicos aconselham a:

- praticar exercício em qualquer idade
- não fumar
- moderar o consumo de álcool
- ter uma alimentação rica em cálcio e vitamina D.

Intolerâncias e Alergias

A alergia alimentar é uma resposta imunitária desencadeada pelo consumo de algum alimento.

Normalmente a resposta imunitária do nosso corpo protege-nos de substâncias nocivas como bactérias, toxinas ou vírus. 

Mas, nalguns casos é desencadeada uma resposta imunitária por uma substância que geralmente é inócua, como um alimento específico.
Muitas pessoas sofrem de intolerância alimentar, embora as alergias aos alimentos sejam menos comuns. Quando um alimento produz uma reacção alérgica, o sistema imunitário produz anticorpos e histamina como resposta a esse alimento. 

Qualquer alimento pode causar uma reacção alérgica, mas só alguns alimentos são os principais responsáveis. Nas crianças, as alergias alimentares mais comuns surgem com ovos, leite (intolerância à lactose), marisco, nozes, trigo ou soja.

As alergias alimentares em regra começam na infância, ainda que possam surgir em qualquer idade. 

Convém lembrar que muitas crianças superam as alergias acima mencionadas por volta dos cinco anos de idade, caso evitem o consumo destes alimentos quando são mais novos. 

Contudo, algumas como as do marisco ou nozes tendem a ser para toda a vida. Os jovens e adultos são mais susceptíveis de ser alérgicos ao peixe, mariscos ou nozes.

Os sintomas da alergia começam logo após o consumo do alimento e podem traduzir-se em urticária, voz rouca e até tensão arterial baixa e dificuldade em respirar pelo que deve consultar o seu médico. 

Pode ainda ter dores abdominais, dificuldade em engolir, náuseas, congestão nasal, cólicas no estômago, vómitos, dificuldade em respirar, picadas na pele, olhos, boca ou garganta. 

Para eliminar o problema:

- evite o alimento causador de alergia

- não ingira o alimento novamente até que os sintomas desapareçam e volte a consumi-lo apenas para confirmar a sua suspeita de alergia.

 

Intolerância à Lactose

Este é um problema que resulta da ausência ou deficiência de uma enzima intestinal, a chamada lactase, cuja função é decompor o açúcar do leite em carbohidratos mais simples para que possam ser obsorvidos.

Naúseas, dores abdominais, diarreia, flatulência e desconforto podem ser os sinais da intolerância à lactose. Estes sintomas variam de pessoa para pessoa e podem durar horas ou apenas alguns minutos até desaparecer.

Não há forma de tratar a incapacidade de produzir lactase, mas a adopção de uma dieta específica pode ajudar a controlar os sintomas.

Em substituição dos produtos lácteos deve-se optar pelo leite de soja e derivados de soja, como sobremesas, iogurtes  e queijos, uma vez que estes não tem lactose.

Alimentos a evitar:

– leite de vaca, queijos, manteiga, requeijão e restantes derivados do leite
– preparações à base de leite (bolos, pudins, cremes, etc…)
– bolachas e biscoitos que possuam leite na sua composição

Alimentos permitidos:

– carnes em geral
– leguminosas
– arroz e cereais em geral
– todas as verduras e legumes
– leite de soja, queijo tipo tofu
– pães e bolachas que não contenham leite na sua composição

 

Intolerância ao Glúten – Doença Celíaca

A doença celíaca é uma doença crónica que afecta o intestino e que resulta de uma predisposição genética associada à ingestão de alimentos com glúten. Esta substância altera o funcionamento do intestino e impede a absorção normal dos nutrientes.

Os sintomas podem ser diversos, surgem ao nível do sistema digestivo ou em outras partes do corpo causando dores abdominais, diarreia e mesmo um estado depressivo.

Nas crianças, a irritabilidade é o sintoma mais comum mas há pessoas que não sofrem qualquer tipo de sintomas. Esta é uma doença genética em que o sistema imunológico danifica o intestino delgado em resposta ao consumo de glúten.

Pessoas com esta doença devem:

– excluir o glúten da sua dieta
– recusar alimentos com trigo, centeio, cevada ou aveia
– ler atentamente a etiqueta de alimentos e medicamentos para se certificar que não contêm esta substância nem seus derivados

Doenças Funcionais do Intestino

Ao intestino delgado cabe o papel de separar os alimentos essenciais enquanto o intestino grosso tem que separar os fluídos e excluir a parte residual. 

Quando o sistema intestinal não funciona de forma adequada, é porque uma alimentação desadequada ou um estilo de vida pouco saudável está a provocar disfunções.

 

Obstipação

A obstipação ou prisão de ventre é apontada como um dos grandes males da vida moderna. Considera-se que existe obstipação quando ocorrem alterações de ritmo e de regularidade na mobilidade intestinal própria de cada indivíduo.

A prisão de ventre possui inúmeras causas: uma dieta desregrada com ausência de fibras, ingestão insuficiente de líquidos, falta de exercício, existência de doença intestinal,  idade avançada ou até mesmo medicação são as causas mais frequentes.

Regra geral a prisão de ventre é uma disfunção intestinal temporária sem gravidade que surge como consequência de hábitos de vida. Nestes casos, ingerir alimentos ricos em fibras, beber muita água, comer com calma, evitar uma vida sedentária, fazer diariamente pequenos percursos a pé e praticar regularmente desporto, são factores básicos de correcção para uma reeducação atempada de uma obstipação futura.

Prevenção:
• Ingerir pelo menos 25 a 30 gramas de fibras por dia. Pode utilizar alguns alimentos preparados com fibras (flocos, leite com fibras, ou até “farelo” de casca de cereais). Utilize regularmente cenouras, aipo, saladas, brócolos, feijão ou grão.

• Beba bastantes líquidos. Como já vimos, deve ingerir o correspondente a 1,5 ou 2 litros por dia. Excluindo o álcool e as bebidas açucaradas, todos os líquidos servem, desde água até leite ou sopas.

• Faça exercício regular. Andar cerca de 20 a 30 minutos por dia, em passo ligeiro, é o suficiente para estimular o movimento dos intestinos, para além de ser benéfico em termos de combate à obesidade, reumatismo e doenças cardiovasculares.

• Evite adiar a evacuação quando tiver vontade.
Flatulência

Esta é conhecida por ser uma das mais frequentes irregularidades intestinais. O aparecimento de gases pode estar relacionado com a quantidade de ar engolida, a expulsão de ar através do tracto intestinal e mesmo os níveis de produção de gases.

A flatulência varia de pessoa para pessoa, mas sabe-se que estar nervoso, beber por palhinha, mascar pastilha elástica e usar próteses dentárias muito largas aumentam a quantidade de ar engolido. Também pode dar-se o caso de as pessoas não digerirem totalmente alimentos com frutose, sorbitol e lactose.

Para evitar vir a sofrer de flatulência, procure ter uma dieta que não contemple alimentos difíceis de digerir, bebidas gaseificadas e pastilhas elásticas.

Síndrome do Intestino Irritável

A síndrome do intestino irritável provoca um desconforto a nível intestinal cujos sintomas se agravam à medida que o stress emocional aumenta, podendo haver dor abdominal, diarreira, obstipação, gases, distensão abdominal, redução do apetite e até ansiedade.

Este problema não escolhe idades, todavia surge muitas vezes durante a adolescência ou no início da idade adulta. As mulheres são mais vulneráveis a este problema visto que têm muitas vezes uma dieta pobre em fibras, são mais susceptíveis ao stress e recorrem ao uso de laxantes.

Para controlar este problema, procure ter uma alimentação rica em fibras, elimine substâncias estimulantes como a cafeína, faça exercício com regularidade e procure o seu médico em caso de depressão.

 

Diabetes

A diabetes é uma doença provocada pelo défice na secreção de insulina e ou deficiência na sua acção que se caracteriza pelo aumento dos níveis de glicose no sangue afectando o metabolismo de carbohidratos, lípidos e proteínas.

Cabe ao pâncreas o papel de produzir insulina, uma hormona que transporta a glicose até ao interiror das células que a usam como fonte de energia.

 

Diabetes Tipo 1

Este é o tipo mais raro da diabetes e implica a dependência de insulina. A diabetes tipo 1 surge quando o sistema imunitário do doente ataca as células Beta do pâncreas. A causa desta disfunção ainda não está bem definida, mas parece estar associada a casos de constipações e outras doenças.

A insulina produzida no organismo é insuficiente e ou com pouca qualidade. Deste modo, as células têm dificuldade em absorver do sangue o açúcar necessário, ainda que este seja elevado. Ao contrário do que acontece com a diabete tipo 2, a diabetes tipo 1 é mais comum em crianças e jovens mas também pode surgir em adultos e idosos.

A diabetes tipo 1 não está relacionada com hábitos de vida ou de alimentação mas com a acentuada carência de insulina, o que implica que aos doentes seja administrada insulina para o resto da vida.

Recomenda-se:

- controlar diariamente os níveis de glicose no sangue e registá-los
- controlar o peso
- seguir a dieta aconselhada pelo médico
- praticar frequentemente uma actividade física, consoante indicação médica
- tomar a medicação receitada
- controlar a pressão arterial bem como os níveis de colesterol e triglicéridos
- não fumar.
Diabetes Tipo 2

Em 90% dos casos de diabetes é deste tipo que se trata, em que as pessoas não são insulino-dependentes. Este tipo de diabetes faz com que a insulina, produzida pelo pâncreas, não seja aceite pelas células do organismo. Deste modo, o pâncreas é obrigado a um esforço redobrado até que a insulina escasseie provocando um problema na absorção de açúcar.

O tipo 2 da diabetes surge normalmente na idade adulta sendo que, na maioria dos casos, pode ser tratado adoptando-se uma dieta alimentar que normalize os níveis de açúcar no sangue. Em paralelo, é recomendada a prática de uma actividade física regular. Se isto não resultar, será necessário recorrer a uma medicação específica ou, em última análise, ao uso de insulina. Mas é essencial que consulte o seu médico.

O excesso de peso associado à falta de exercício físico, são actualmente apontados como estando na origem da doença. Por isso, saiba que a actividade física é benéfica para uma melhor administração das reservas de açúcar no organismo.